O juramento e o legado da esterilidade
Juscelino era um homem peculiar. Dono de uma pequena sapataria na movimentada Barra do Ceará, em Fortaleza, ele tinha fama de bon vivant. Sempre vestido com roupas elegantes, sapatos impecáveis e um sorriso galante no rosto, era uma figura marcante em meio à simplicidade do bairro. Apesar de sua personalidade cativante, Juscelino carregava consigo um ceticismo inabalável em relação à humanidade. Ele observava o mundo ao seu redor, envolto em conflitos e desigualdades, e questionava se trazer uma nova vida ao mundo seria uma escolha responsável. O comerciante recusava-se a dar continuidade à sua geração, temendo que ela prosperasse em meio ao caos. Sua visão distante da paternidade vinha da convicção de que a humanidade estava fadada a repetir os mesmos erros do passado, condenando-se a um ciclo infinito de dor e sofrimento. - A posteridade termina em mim. Dizia. Então, um dia, já passados dos 50 anos, enquanto percorria as ruas conhecidas da Barra do Ceará...